A história da Religião Baruânica
Desde o ano de 1611, o Baruanismo é a religião oficial do Guaporé (mesmo
praticada por 32,47% da população, composta por 4.124.718
habitantes, de acordo com o Censo 2022). Trata-se de uma fé
singular no mundo, centrada na adoração à divindade suprema Baru-Hala — uma
entidade de luz e força, revelada ao profeta Pedro de Heredia no ano de 1580.
Baru-Hala é descrito como uma figura masculina imponente, de voz grave e
presença celestial, cuja forma gloriosa inspirou o arquétipo do homem ideal da
fé baruânica.
A revelação ocorreu quando Pedro de Heredia, então um explorador solitário, se
perdeu nas florestas densas do norte do território guaporeano. Durante anos
viveu entre os indígenas Caetés, que o acolheram e o instruíram em sabedorias
ancestrais. Foi nesse período de isolamento e contemplação espiritual que
Heredia recebeu as visões de Baru-Hala. Em 1596, ele foi resgatado e retornou à
cidade de Santiago de Xerez (até então pequena vila), onde iniciou os primeiros
ensinamentos públicos.
A fundação oficial da fé baruânica se deu em 1601, com o estabelecimento do
Primeiro Dogma de Aliança com Baru-Hala, reunindo trabalhadores convertidos da
então Real Intendência de Santiago de Xerez — região que hoje corresponde ao atual
Guaporé. A oficialização da religião pelo Estado ocorreu apenas em 1611,
selando a união entre fé e governo.
Fundamentos do Baruanismo
O Baruanismo exalta o arquétipo do homem cisgênero, heterossexual, ativo e
viril. Seu ideal é representado pelo “Padrão Masculino Baruânico”: um homem
forte, barbudo, peludo e dominante, espelho do próprio Baru-Hala. Toda a
estrutura doutrinária, litúrgica e estética da fé baruânica gira em torno dessa
figura.
A religião condena veementemente qualquer prática homoafetiva ou lésbica entre
os fiéis, sendo essas vistas como desvios espirituais e violações diretas aos
dogmas do baruã. As mulheres têm papel submisso e simbólico dentro da fé, com
rituais próprios e restrições quanto à participação nos cultos masculinos.
Estrutura Hierárquica da Igreja
Baruânica
• Profetas Baruânicos — Autoridades máximas da fé, cada um liderando um dos
seis grandes Distritos Religiosos de Guaporé. São considerados intérpretes
diretos das revelações do Gacúy.
• Bispos Baruânicos — Administradores dos Templos-Capitais localizados nas
principais cidades do país.
• Pastores Baruânicos — Guias espirituais das igrejas locais, responsáveis
pelos cultos e pela orientação dos fiéis.
• Barxãs — Doutrinadores designados para acompanhar e instruir os novos
convertidos do sexo masculino. São considerados “anjos da guarda” espirituais.
• Obreiros — Auxiliares sagrados que prestam suporte aos rituais, organização
dos templos e atividades litúrgicas.
• Fiéis — Base viva da fé, responsáveis por preservar, praticar e propagar os
ensinamentos baruânicos.
Obs.: Nos templos e
igrejas baruânica por tradição e rito eclesiástico todos os líderes do sexo
masculino dos templos e igrejas devem ficar de cuecas no corpo e kipás sobre as
cabeças, com exceção de Barxãs e Obreiros que devem ficar devidamente vestidos
(exceto em reuniões especiais). É lei no baruã.
Regras e Condutas da Vida Baruânica
A vida de um fiel baruânico é regida por normas sagradas que têm como objetivo
moldar o comportamento, a estética e a espiritualidade conforme os princípios
de Baru-Hala. As regras são divididas por gênero, refletindo a estrutura
hierárquica entre homem e mulher estabelecida na doutrina.
Para os homens
baruânicos, é terminantemente proibido:
·
- Depilar
as partes íntimas e as axilas, salvo exceções.
·
-
Vestir-se de maneira afeminada ou utilizar adereços que remetam a feminilidade.
·
-
Participar de cultos femininos ou rituais de purificação da mulher.
Para as mulheres
baruânicas, é recomendado:
·
- Raspar
completamente todos os pelos do corpo abaixo do pescoço.
·
- Manter
os cabelos presos, usar vestidos longos e zelar por uma aparência modesta e
recatada.
·
-
Abster-se de frequentar os cultos masculinos, com exceção dos Cultos das
Mulheres (quartas) e dos Cultos da Família realizados aos domingos.
Práticas Espirituais e Rituais
Sagrados
Os cultos baruânicos são momentos sagrados de adoração, disciplina corporal e
expressão da masculinidade espiritual. Eles se dividem entre cerimônias
públicas e rituais restritos, sendo organizados de acordo com a hierarquia
espiritual e os calendários dos templos.
• Cultos Masculinos
(Terças e Sextas): Realizados com o uso obrigatório de cueca slip branca e
kippah baruânico. São encontros de oração, louvor e exortação sobre a conduta
viril.
• Cultos Femininos (Quartas):
Mulheres adoram à Baru-Hala com outras mulheres.
• Cultos da Família (Domingos):
Onde toda a família pode se reunir nos templos ou igrejas baruânica para adorar
à Baru-Hala, devidamente vestidos e trajados, com todo respeito ao momento.
• Rituais Sagrados
Masculinos (Sábados): Cerimônias realizadas com nudez ritual completa dos fiéis
homens, acompanhadas por louvores rítmicos, batucadas e tambores. Nesses
momentos, a masculinidade é exaltada em sua forma mais pura e ancestral.
Fechado exclusivamente aos fieis do sexo masculino.
Batismos e Iniciações
Os batismos representam o ingresso oficial de um fiel na aliança com Baru-Hala.
Homens e mulheres são batizados separados, em datas diferentes, com batismo
muito semelhante ao batismo de João Batista (cristianismo): Batismo por
imersão total do corpo em águas, preferencialmente em águas correntes (rios ou
córregos).
• Batismo Masculino (primeiro
domingo do mês):
No caso dos fieis do
sexo masculino, realizado individualmente pelos Barxãs (anjos da guarda)
de cada fiel.
• Batismo Feminino (segundo
domingo do mês):
No caso das fieis do
sexo feminino, realizado pelas “Xanânas” (espécie de pastoras, cargo feminino
máximo no baruanismo) das Igrejas.
• Circuncisão
Baruânica:
É recomendado, porém, não obrigatório, que todo fiel do sexo masculino seja
circuncidado ao oitavo dia de vida. Caso não o seja, o rito pode ser realizado
na juventude ou vida adulta. O prepúcio removido deve ser consagrado no altar
do templo, como parte de si ofertado a Baru-Hala. A cirurgia é conduzida por um
Madima, cirurgião baruânico sagrado, dentro do próprio templo.
O Gacúy: Livro Sagrado da Nova
Aliança
O Gacúy é a escritura sagrada do Baruanismo. Nele estão contidas todas as
revelações, mandamentos, cânticos, profecias e dogmas que regem a vida
espiritual, social e estética dos fiéis. Sua leitura é obrigatória nos lares
baruânicos, e suas palavras são consideradas a voz direta de Baru-Hala na
Terra.
Princípios Complementares:
·
-
Tatuagens, brincos e demais acessórios são permitidos, desde que não
comprometam a aparência viril ou remetam à homossexualidade (veementemente
condenada pelo baruanismo).
·
-
Masturbação é permitida como forma de regular os níveis hormonais no corpo e de
espermatozoides nos testículos, porém, sem conteúdo visual externo ou
perversões.
·
- Drogas,
álcool e cigarro são terminantemente proibidos entre os fiéis.
Outras informações importantes:
Batismo: Por submersão, igual cristãos e judeus.
Prefere-se em águas correntes, como rios e córregos, porém, quando não viável,
faz-se no templo em piscinas próprias para essa finalidade.
Homens: Em orações fechadas em casa ou no templo,
durante os Cultos dos Homens, devem orar somente de cuecas e kippah na cabeça.
Não importa a cor. São proibidos de depilar as partes íntimas e as axilas,
já que esses pelos são considerados sagrados e intocáveis, dedicados
exclusivamente a Baru-Hala. Além disso, são orientados a manter a barba e
os pelos do corpo naturais (não obrigatório).
Mulheres: Devem ser submissas aos seus maridos e a
Baru-Hala, a qual são consagradas assim que se batizam, sendo propriedade
dele.. Devem se vestir e se portar com decoro e decência. Participam dos Cultos
das Mulheres e dos Cultos da Família. As mulheres, diferentemente dos homens,
estão liberadas para depilarem todo o corpo, caso queiram. São vistas como
“coroas dos maridos” e na tradição baruânica antiga quanto mais lisas de corpo
estiverem mais preciosas são aos seus maridos e a Baru-Hala. Também, devem orar
com decoro e respeito, devidamente vestidas em casa ou no templo,
independentemente da ocasião.
Permitido: Tatuagens, piercings, acessórios e
masturbação, desde com moderação e bom senso.
Proibido: Homossexualismo, lesbianismo, satanismo, bebidas alcoólicas e drogas em geral.
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